Rogério Ceni trabalha time com várias caras sem perder a estrutura tática

Desde a retomada do futebol, o Leão do Pici já entrou em campo quatro vezes e está invicto, inclusive mantendo 100% de aproveitamento. Logo na reestreia, a equipe não tomou conhecimento do Guarany de Sobral e aplicou 5 a 0, quando o treinador mandou a campo uma formação composta inteiramente por jogadores considerados reservas. Poucos dias depois foi a vez enfrentar o arquirrival Ceará, já com muitos dos titulares em campo. Venceu por 2 a 1 e demonstrou, naquela ocasião, superioridade técnica e física sobre o oponente preto e branco.
Com a liderança garantida na Segunda Fase do Campeonato Cearense, o Tricolor voltou a encontrar o Bugre sobralense, na Arena Castelão. O placar, no entanto, foi magro. O adversário – formado por jogadores jovens cedidos pelas categorias de bases tricolores e alvinegras – vendeu caro a derrota pelo placar mínimo, com gol marcado pelo recém-chegado Tiago Orobó. O triunfo assegurou o clube em mais uma final estadual, onde terá pela frente o Vozão. Mas os duelos decisivos, no entanto, ainda estão sem data para acontecer.
Já pela Copa do Nordeste, que voltou às atividades na última terça-feira, os comandados de Ceni até tomaram um susto do já eliminado América-RN, mas na força de Wellington Paulista o time virou a partida e ainda ampliou com Ederson. Mas são muitas nuances elencadas anteriormente que chamam a atenção neste reinício de competições.

Versatilidade
Rogério tem trabalhado no elenco a capacidade de várias peças em se adaptarem a novas funções para preencher espaços dentro dos setores sem que o técnico precise sempre fazer substituições diretas. Ou mesmo ganhar opções para situações onde algumas posições não disponham de atletas com as características imaginadas pelo ex-goleiro do São Paulo e da Seleção Brasileira.
Por exemplo, o armador Mariano Vázquez foi testado algumas vezes jogando mais recuado, saindo da linha de quatro homens ofensivos para compor a dupla de volantes. Yuri César e Éderson também recuaram um pouco para jogarem com mais obrigações de ajudar na marcação e na articulação, sem perder o ímpeto ofensivo e a ‘pisada’ na grande área, que são pontos fortes da dupla. Diante do Dragão potiguar, sem nenhum dos laterais pela direita (Tinga e Gabriel Dias) o volante Derley jogou pelo setor e não comprometeu. Outra mostra de alternativa criada dentro do plantel.

Joga em todas

Dentro dessa perspectiva, um dos grandes destaques da equipe até aqui é Wellington Paulista. O camisa 9 tricolor se mostra cada vez mais à vontade dentro das variações táticas inseridas pelo treinador em sua filosofia. WP9, como é chamado pela torcida, já desempenhou quase todas as funções ofensivas em diferentes momentos. E as faz com muita qualidade. Não é à toa que o artilheiro é figurinha presente em quase todas as escalações leoninas.
Dono de uma presença de área invejável, Wellington Paulista já balançou as redes em três oportunidades desde a retomada do futebol, sendo uma contra o rival Ceará, e duas diante do América, quando foi o responsável direto pela virada no Estádio Barradão. Mas engana-se quem pensa que o jogador é uma peça pouco móvel entre os zagueiros. Muito pelo contrário, no sistema de jogo do Fortaleza, Paulista abre espaços na defesa para os companheiros infiltrarem, cai pelos lados para dar profundidade ao setor, e pode até atuar com outro centroavante de ofício, além de ter qualidade suficiente para também armar jogadas e servir.

Vocação ofensiva

Outra característica importante que foi mantida após a parada de quatro meses é a vocação ofensiva das escalações. No segundo tempo, diante do Mecão, o time chegou a ter em campo, ao mesmo tempo, cinco homens de frente (David, Ederson, Osvaldo, Wellington Paulista e Edson Cariús). Mas engana-se quem pensa que a situação foi proporcionada por um ato de desespero do treinador ou coisa do tipo. Longe disso.
Mesmo sem a especialidade em defender, as peças ocupam espaços e participam ativamente dos processos de retomada de jogo, são importantes na fase defensiva, além de saírem com muita força para a parte final do campo. O comandante tricolor tem rodado o elenco, mas a força do grupo não cai, outro ponto positivo para Ceni até aqui. Osvaldo, poupado de alguns compromissos, tem crescido de produção e sido um diferencial pelo lado do campo. Quando está atuando, basicamente todas as jogadas ofensivas passam por seus pés. O camisa 11 também tem sofrido menos com problemas físicos, graças ao revezamento das peças.
Assim, Rogério Ceni vai moldando não só uma equipe titular e sim todo um grupo, que fatalmente será usado por completo na sequência da temporada, haja vista que a pandemia acabou por apertar o calendário esportivo, que já não era o ideal. Diante disso, é importante para cada peça ter em mente a ideia de trabalhar a versatilidade, um marca registrada do trabalho de Ceni. Dessa forma, o Fortaleza vai se fortalecendo para os compromissos duros que estão por vir, principalmente na elite do futebol nacional.

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